Fórum Ecommerce Brasil 2026: Aprendizados para o seu brechó
- Natalia Adachi
- há 9 horas
- 5 min de leitura
Se você ainda pensa na jornada do cliente como um funil de vendas, está olhando para um modelo ultrapassado, criado em 1923.
O comportamento do consumidor mudou. Em 2026, a jornada de compra é completamente diferente e passou a ser conhecida como Smart Buying.
Hoje, o cliente não segue mais um caminho linear. Ele pode se inspirar no Pinterest, assistir a vídeos de usuários no TikTok, pesquisar o perfil da empresa e fundadores no Instagram, conferir avaliações no Google e, só então, decidir comprar.
A pergunta é: a sua marca é reconhecível em todos esses pontos de contato?
E mais do que isso: o seu antigo SEO já foi adaptado para a era da Inteligência Artificial?
Do SEO para o GEO
Não basta mais otimizar conteúdos apenas para mecanismos de busca tradicionais. Agora é preciso pensar em GEO — Generative Engine Optimization (Otimização para Mecanismos Generativos), ou seja, estruturar suas informações para que as inteligências artificiais consigam entender, interpretar e recomendar a sua marca.
Antigamente, uma pesquisa no Google era feita com 2 ou 3 palavras.
Hoje, com o avanço da IA, as buscas se tornaram verdadeiros prompts conversacionais, muitas vezes com mais de 20 palavras. O consumidor explica exatamente o que procura, o contexto, suas preferências e necessidades.
Isso significa que quanto mais completas forem as informações sobre seus produtos, sua empresa e seu conteúdo, maiores serão as chances de a inteligência artificial encontrar e recomendar a sua marca.
A inteligência artificial já mudou o Google
Se você ainda acredita que a IA é apenas uma tendência, vale observar o que o próprio Google vem fazendo.
A empresa investe centenas de bilhões de dólares em projetos relacionados à inteligência artificial e afirma que, em apenas um ano, avançou o equivalente a uma década nesse tema.
Hoje, o Google atende bilhões de usuários utilizando recursos de IA em seus produtos.
Essa transformação também chegou ao Google Shopping.
Agora, a IA entende muito melhor a intenção de compra do consumidor, aplicando o conceito de “Jobs to Be Done”: compreender qual necessidade, dor ou desejo aquela pessoa realmente quer resolver (e não só a busca por produto).
No segmento da moda, por exemplo, a inteligência artificial funciona como uma verdadeira curadoria.
Por isso, quanto mais completas estiverem as informações do seu Google Merchant Center, das descrições dos produtos e do conteúdo produzido pela sua marca, melhores serão suas oportunidades de aparecer para os consumidores certos.
Inclusive, os próprios usuários já conseguem criar agentes inteligentes que monitoram produtos específicos, avisando quando determinado item, marca ou característica desejada fica disponível.
O Brasil continua sendo um dos maiores cases digitais do mundo
Quando falamos sobre comportamento digital, o Brasil continua sendo referência.
Segundo a Meta, os brasileiros passam, em média, 3 horas e 32 minutos por dia nas redes sociais.
Já o antropólogo Michel Alcoforado apresentou outro dado impressionante: o brasileiro passa aproximadamente 9 horas e 30 minutos por dia utilizando o celular.
Na prática, passamos mais tempo no celular do que dormindo.
O poder dos criadores de conteúdo
Outro dado apresentado pela Meta chamou muita atenção.
Os influenciadores brasileiros geram aproximadamente o DOBRO de vendas quando comparados aos influenciadores dos Estados Unidos.
Isso reforça um conceito cada vez mais forte: Shopping Entertainment.
Ou seja, as pessoas compram enquanto são entretidas e os creators brasileiros são criativos e comunicativos.
Essa lógica fortalece a teoria dos 3 Cs:
Comunidade
Conteúdo
Compras
Hoje, as plataformas da Meta já permitem marcar produtos dentro do Reels, inserir links de afiliados e estão testando transmissões ao vivo conectadas diretamente aos catálogos de produtos (lives similares às da rede vizinha).
O conteúdo deixou de ser apenas entretenimento. Ele passou a ser também um canal direto de vendas.
O WhatsApp faz parte da jornada de compra
Outro protagonista dessa transformação é o WhatsApp.
São mais de 200 milhões de usuários no Brasil e bilhões no mundo.
Para o consumidor brasileiro, o WhatsApp já faz parte da experiência de compra, do atendimento, do relacionamento e da tomada de decisão.
Ignorar esse canal significa deixar uma etapa importante da jornada do cliente descoberta.
IA não substitui estratégia. Ela acelera resultados.
Uma frase apresentada durante o evento resume bem esse momento:
A inteligência artificial é como gasolina.
Ela potencializa aquilo que já existe.
Pode aumentar a performance dos anúncios, facilitar parcerias entre marcas e criadores de conteúdo por meio do Creator Marketplace da Meta e acelerar processos de marketing.
Mas ela não substitui estratégia.
As marcas precisam deixar de ser “apenas empresas” e se tornar ecossistemas
Talvez um dos maiores aprendizados do evento tenha sido este.
Hoje, uma marca precisa oferecer muito mais do que produtos/serviços.
Ela precisa construir um ecossistema.
Como disse o antropólogo Michel Alcoforado:
“O humano tem dificuldade de amar uma pessoa; você realmente acha que vai amar uma marca?”
Na verdade, ninguém ama uma marca.
As pessoas amam o benefício que aquela marca proporciona.
Outro dado reforça essa mudança de comportamento:
Enquanto cerca de 60% dos boomers permanecem fiéis a aproximadamente seis marcas, apenas 12% da Geração Z demonstram fidelidade a cinco marcas.
A fidelidade deixou de ser automática.
Ela precisa ser construída diariamente por meio de experiências, conexão e comunidade.
Hoje, a comunidade é um dos maiores ativos de qualquer empresa.
E a loja física?
Sempre surge essa pergunta.
Se tudo está caminhando para a inteligência artificial e para o digital, qual será o papel da loja física?
A resposta é simples.
A loja física continua sendo extremamente importante.
Ela transmite confiança.
Ela aproxima.
Ela gera relacionamento.
Mais do que um ponto de venda, a loja precisa funcionar como um palco para a marca.
As lojas de luxo aumentaram cerca de 65% dos espaços destinados à experiência, justamente para estimular os cinco sentidos e criar memórias.
O consumidor não busca apenas comprar.
Ele busca viver experiências.
E agora eu deixo algumas perguntas para você:
Seu brechó já possui uma loja virtual?
Seu Google Merchant Center está corretamente configurado?
Você produz conteúdo de forma consistente?
Investe em anúncios e conteúdo diário nas plataformas da Meta?
Sua loja física é apenas um lugar para armazenar produtos ou ela realmente proporciona experiências inesquecíveis para os seus clientes?
Porque, no fim das contas, vender deixou de ser apenas oferecer produtos/serviços.
Hoje, vender significa construir uma marca presente em toda a jornada do consumidor e fazer parte da rotina dele, seja no digital, na inteligência artificial ou na experiência presencial.
Se você quer dar o próximo passo, para sair do amadorismo e ter um brechó PROFISSIONAL, vem conhecer o meu programa de Aceleração de Brechós (saiba mais aqui).
A hora é essa.
por: Natália Adachi fundadora da Guru de Brechó
Palestrante, influenciadora e mentora de moda circular



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