Iguatemi Talks Fashion 2026: o que aprendi sobre moda circular, brechó e o novo desejo de consumo
No dia 21 de outubro de 2026, estive no Iguatemi Talks Fashion 2026 acompanhando painéis sobre moda, comportamento de consumo e moda circular. E saí de lá com uma certeza: o brechó deixou de ser só a opção mais barata e passou a ser uma escolha de desejo, identidade e valor.
Neste post, reuni os principais aprendizados das palestras e o que eles significam para quem compra (e para quem vende!) moda de segunda mão.

Resumo: o que aprendi no Iguatemi Talks Fashion 2026
As buscas por achadinhos de brechó cresceram mais de 500% no Pinterest, e as buscas por estilo vintage, mais de 1.000%, segundo dados apresentados no evento.
O consumidor não compra de segunda mão só por preço: exclusividade, história, qualidade e identidade pesam na decisão.
A longevidade das roupas e o design atemporal estão ganhando cada vez mais importância.
Marcas e brechós com identidade consistente constroem relações mais duradouras com o público.
Moda circular não é só comprar usado: é reconhecer o valor do que já existe.
O Brasil é potência têxtil. Mas já é potência de desejo?
O primeiro painel que eu assisti trouxe números que muita gente não conhece. Segundo o que foi apresentado, o Brasil é o maior exportador de algodão do mundo, produz mais de 300 milhões de metros de denim por ano e é o único país do Ocidente com produção de fio de seda em escala industrial (fio que, como foi citado no painel, está presente nos lenços da Hermès).
Só que existe uma distância entre ser uma potência produtiva e ser uma potência de desejo.
O que os dados do Pinterest revelam sobre brechó e moda vintage
Na segunda palestra que eu assisti, o Pinterest relatou que moda está entre os segmentos mais fortes da plataforma, principalmente nas buscas por looks e inspirações. Um ponto que me marcou: lá, a busca por inspiração está muito ligada ao próprio indivíduo, ao que a pessoa quer para si, e não ao que os outros esperam dela.
Os números apresentados no evento:
+500% nas buscas por achadinhos de brechó
+1.000% nas buscas por estilo vintage
mais de 50% da base de usuários do Pinterest é da geração Z
Esses dados mostram um interesse crescente por moda circular, peças de segunda mão e estilos que traduzem a identidade de cada um. O desejo de consumo está deixando de ser apenas uma questão de economia e passando a envolver inspiração, valores, identificação pessoal e autenticidade.
O novo desejo de consumo: menos tendência, mais longevidade
Quem procura peças de segunda mão tem motivos diferentes: preço, exclusividade ou a chance de finalmente encontrar aquela roupa que sempre desejou. E existe uma mudança clara de comportamento: menos busca por tendências passageiras e mais interesse em peças que façam sentido por muito tempo.
Qualidade vai muito além do tecido e da costura. Ela também está no design. Quando uma peça tem design atemporal, ela atravessa tendências, permanece no guarda-roupa e continua fazendo sentido ao longo dos anos.
O que faz uma roupa ter história?
Uma roupa carrega história quando foi feita de um jeito diferente das peças que encontramos hoje. Isso aparece em:
tecidos que já não são facilmente encontrados;
modelagens que deixaram de ser reproduzidas;
detalhes e acabamentos diferentes dos atuais;
designs originais que não são facilmente replicados.
Num mercado em que muitas marcas oferecem produtos parecidos, encontrar algo diferente vira um diferencial. Afinal, o desejo também nasce daquilo que não encontramos em qualquer lugar.
Caro ou valioso? A diferença que muda a forma de comprar
O que é valioso para uma pessoa pode não ser para outra. O valor de uma roupa está ligado à nossa identidade, às nossas referências e aos nossos valores. Uma peça pode custar mais e, ainda assim, valer muito a pena quando carrega um significado especial.
No brechó, isso fica ainda mais evidente. Encontrar uma roupa procurada há muito tempo, original e por um preço acessível gera uma satisfação dupla: exclusividade e economia. Afinal, o que é caro ou barato depende da realidade financeira, das expectativas e do valor que cada pessoa atribui àquela peça.
Autoconhecimento faz você comprar melhor
Quando você conhece seu corpo, suas preferências e seu estilo, as compras ficam mais certeiras. Vale saber:
quais modelagens valorizam seu corpo
o que você prefere mostrar ou cobrir
quais peças funcionam no clima onde você vive
quais roupas combinam com seu estilo de vida
quais escolhas trazem conforto e segurança
Consumo consciente: estamos comprando melhor ou só diferente?
A percepção trazida nas palestras é que existe uma busca real por um consumo mais intencional. Na prática, isso significa:
escolher peças com as quais você realmente se identifica
comprar roupas que façam sentido para o seu dia a dia
valorizar longevidade e qualidade
entender que uma peça pode ter várias vidas
buscar referências que expressem quem você é
A economia continua importante, mas não é o único motivo para comprar de segunda mão. Muitas vezes, o que move a compra é encontrar a peça de um estilista admirado, uma roupa original ou algo com significado especial. O novo consumidor busca menos compras por impulso e mais identidade, longevidade e significado.
Como saber se uma compra vale a pena: 7 critérios
Pense na longevidade: por quanto tempo você pretende usar essa peça? Uma roupa de qualidade pode acompanhar você por muitos anos.
Avalie a qualidade: observe a matéria-prima, a construção e o design. Não é só sobre preço, é sobre durabilidade.
Calcule o custo por uso: divida o valor pago pelo número de vezes que você usa a peça. Uma roupa de R$ 200 usada 100 vezes custa R$ 2 por uso e uma peça usada por 20 anos sai por quase nada no dia a dia.
Conheça seu estilo: o autoconhecimento evita comprar só porque algo está em alta.
Priorize qualidade em vez de quantidade: comprar menos e escolher melhor é um caminho para um consumo mais consciente.
Escolha marcas com as quais você se identifica: identidade consistente e valores alinhados aos seus tornam a relação mais duradoura.
Considere a moda de segunda mão como 1º opção: brechós permitem encontrar peças únicas, prolongar a vida útil das roupas e montar um guarda-roupa com mais personalidade.
Uma boa compra não é necessariamente a mais barata, nem a última tendência. É aquela que faz sentido para você e continua valendo a pena com o passar do tempo.

Moda circular é uma mudança definitiva?
Durante muito tempo, usar roupa de segunda mão foi cercado de preconceito no Brasil. Hoje, as novas gerações estão muito mais abertas a isso. Uma roupa não perde valor porque já pertenceu a outra pessoa: se está em boas condições, pode ganhar novas histórias.
Para quem ama moda, o garimpo é a chance de encontrar peças originais, modelagens diferenciadas, tecidos que já não são comuns, roupas desejadas que não foram compradas na época e produtos de qualidade por preços acessíveis.
10 insights do Iguatemi Talks Fashion 2026 para quem tem brechó
O consumidor não busca só preço: exclusividade, identidade, história e qualidade também decidem a compra.
Peças únicas despertam desejo: o que não se encontra no varejo convencional é o seu diferencial.
Qualidade e longevidade são argumentos de valor: uma peça que dura anos é uma boa compra, mesmo sem ser a mais barata.
Autoconhecimento influencia o consumo: ajudar a cliente a entender o próprio estilo gera compras mais acertadas.
Identidade consistente: curadoria, linguagem, estilo e valores reconhecíveis fortalecem o brechó.
Conteúdo que desperta desejo: mostre diferenciais, detalhes, possibilidades de uso e a história das peças, não só preço e marca.
Moda circular como escolha desejável: comunique exclusividade, qualidade, criatividade e estilo.
Use o Pinterest para achar oportunidades: as trends / buscas revelam interesses do público e inspiram conteúdo e curadoria.
Consumo consciente é intenção: não é parar de comprar, é escolher melhor. E isso também vale para montar o estoque do seu brechó.
O valor vai além da etiqueta: uma roupa tem valor econômico, emocional, estético e simbólico comunique todos eles.
Frases que ficaram comigo
O desejo também nasce daquilo que não encontramos em qualquer lugar.
O desafio não é apenas vender, mas fazer sentido para quem compra.
A moda circular não é apenas sobre comprar usado. É sobre reconhecer o valor do que já existe.
Perguntas frequentes
O que foi o Iguatemi Talks Fashion 2026?
Foi um evento com palestras e painéis sobre moda, comportamento de consumo e moda circular, realizado em de Outubro de 2026.
A procura por brechó está crescendo no Brasil?
Sim. Segundo dados do Pinterest apresentados no evento, as buscas por achadinhos de brechó cresceram mais de 500% e as buscas por estilo vintage, mais de 1.000%.
Por que as pessoas compram em brechó?
Por preço, mas também por exclusividade, qualidade, peças com história, identificação com o próprio estilo e a vontade de consumir de forma mais consciente.
O que é moda circular?
É um modelo que prolonga a vida útil das roupas e dos materiais: por meio de brechós, revenda, upcycling e reaproveitamento de matérias-primas, reconhecendo o valor do que já existe.
Como brechós podem usar o Pinterest?
Acompanhando o crescimento das buscas, identificando os desejos do público, criando conteúdo e curadoria a partir dessas referências e dando visibilidade às peças de segunda mão.
Se você ama garimpo ou tem um brechó, esses aprendizados mostram que a moda circular está no centro do novo desejo de consumo. No Guia de Brechós, você encontra brechós selecionados para garimpar peças com história. E me conta nos comentários: qual desses insights mais faz sentido para você?
*Os dados citados neste post foram apresentados pelos palestrantes durante o evento.
Agradecimento especial: ATO/Index, que nos convidou para o evento.
por: Natália Adachi fundadora da Guru de Brechó
Palestrante, influenciadora e mentora de moda circular



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